Chove, chuva...
Não é nada fácil morar em uma cidade que tem clima de deserto. Tudo bem que os finais de tarde são maravilhosos, o céu alaranjado quase compensa toda a falta de umidade, mas este ano tá demais. A cidade tá mais do que marrom, o calor infernal e as cigarras, coitadas, pelo silêncio tão inesperado neste época do ano, já começam a fazer falta.
Alguém ainda tem dúvidas de que o aquecimento global tá aí e , se a gente não fizer nada, todo mundo morrerá torrado?!
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Enquanto a chuva não vem, eu e Tomé decidimos que todos os dias vamos fazer o nosso ritual para ver se os céus nos ouvem e mandam um pouco de chuva. A gente canta todas as músicas que conhecemos que falam de chuva. Mas, até agora, como diz o Tomé, não tá dando certo...
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Quando eu era pequena, minha cidade, que ainda hoje pode ser chamada de jovem, era praticamente um bebê. Aqui quase não tinha carro, a gente brincava no meio da rua e todos os dias nossa memória olfativa era recheada com perfumes que funcionavam como placas de sinalização da natureza. O cheiro das árvores, da chuva, das cigarras (sim, quando elas chegam o ar fica com um cheirinho diferente), a poeira, a seca. Tudo isso tem cheiro. Ou pelo menos tinha. Brasília cresceu tanto que hoje só sinto cheiro de fumaça de carro no ar e isso é muito ruim.


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