Depois de hoje
Tomé voltou hoje às aulas. Foi feliz ao reencontro dos amigos, da escolinha, da rotina que hoje ainda é leve e brincante como deveria ser para todo o sempre, mas não é. O retorno me fez lembrar da minha infância e de que como os dias de volta às aulas me enchiam de um sentimento bom, com gosto de novidade e uma pitadinha de medo. Lembrei como era bom sentir novamente o cheiro da escola, aquele aroma perfumado que vinha da cantina e também como era bom rever os amigos e, às vezes, encontrar amigos novos na escola. Na minha época, as férias eram tão longas que quando a gente voltava tava tudo tão diferente que cada volta às aulas era mesmo uma grande novidade.
Hoje as férias são bem menores, mas o gostinho de novidade, pela carinha do Tomé e pela quantidade de histórias que ele trouxe para casa continuam iguais.
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Malu foi embora hoje, depois de uma breve semana conosco. Foi breve, como sempre é nosso tempo juntos. Mas, quando vejo ela e Tomé brincando e brigando como dois irmãos, percebo que não há tempo e distância capaz de separá-los. E isso é muito legal.
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Não sei quando a gente começa a entender que agora é agora e depois é depois. Como ando sempre correndo contra o tempo, que insiste em estar sempre uns cinco minutos a minha frente, acho que devo ter aprendido essa noção logo depois que saí da barriga da minha mãe, pensando, é claro, que eu tava atrasada.
Não sei se o Tomé já tem clareza sobre o que é o maldito tempo, mas graças a ele estou descobrindo que não é preciso ter tanta pressa. Explico: para o Tomé, não existe amanhã. É depois de hoje.
E é assim. Hoje é hoje. E amanhã... Bom, amanhã a gente pensa depois de hoje, né?


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