segunda-feira, março 26

Banana prata

Com a atenção de costume, Tomé me ouve falando com a minha mãe sobre a dificuldade de encontrar bananas maduras para comprar nos mercados de Brasília.
- Eu até encontrei banana ouro, mas ele não gosta - disse.
- É, ele só gosta de banana prata - completou minha mãe.
Nesse instante, ele, o maior interessado na conversa, sai do silêncio:
- Não, mãe. Eu não gosto de banana prata e de banada ouro. Eu gosto é de banana amarela.

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Um das coisas que mais gostamos no nome do Tomé é o fato de ele ser docemente pequeno. Mas, para uma criança que está começando a dominar o universo das letras e palavras, ter um nome tão pequenino não é nada legal. Por conta disso, desde que as aulas recomeçarão, Tomé volta e meia me diz que não quer mais se chamar Tomé. Aí eu pergunto como ele quer se chamar. Ele pega a caixa de letras e começa a colocar uma ao lado da outra e depois que todas estão devidamente alinhadas ele diz:
- Pronto, agora esse é o meu nome.

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Desde que comecei a estudar para o concurso, o tempo, que já era curto, ficou ainda menor. E Tomé é, sem dúvida, um dos maiores prejudicados. Expliquei para ele que é só por um tempo e que estou fazendo este esforço para poder passar mais tempo com ele todos os dias. E que, quando eu passar no concurso, vou poder pegá-lo todos os dias no colégio.
Dias desses, surpreso ao me ver chegar na escola para pegá-lo, ele abriu um sorriso enorme e disse:
- Você já passou no concurso mãe?

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Outro dia, indo para escola, Tomé com o olhar distante.
- Tá pensando em que filho?
- Em Deus...